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Vitamina B3 e glioblastoma: estudo apresenta resultados iniciais

Cientista observa cápsula enquanto estuda cérebro iluminado em laboratório moderno.
Neste artigo
  1. Uma vitamina conhecida contra o glioblastoma
  2. Como o tumor se esconde
  3. Testes em pessoas
  4. Dosagem e efeitos colaterais
  5. Um número surpreendente
  6. O que continua sendo novidade
  7. Estudos no horizonte

Ed Waldner tinha 55 anos quando percebeu que havia começado a arrastar os pés. No início, a mudança era discreta e parecia fácil atribuí-la a uma das pequenas alterações que acompanham o envelhecimento.

Depois surgiu um cansaço devastador, que o descanso parecia não aliviar. Uma ida ao pronto-socorro revelou um tumor cerebral.

O diagnóstico era glioblastoma, uma das formas mais letais de câncer. Apesar de décadas de pesquisas, o tratamento padrão mudou pouco desde os anos 1970.

Uma vitamina conhecida contra o glioblastoma

A vitamina em teste é a niacina, também chamada de vitamina B3. Ela é usada há anos para controlar o colesterol e está presente em cereais fortificados e suplementos comuns.

Ninguém costuma enxergá-la como um medicamento contra o câncer. A ideia de testá-la nasceu de pesquisas no laboratório do Dr. V. Wee Yong, da Universidade de Calgary. Yong estuda a interação entre o sistema imunológico e o cérebro.

Anos atrás, sua equipe analisou mais de mil compostos em busca de uma substância capaz de despertar células imunológicas pouco ativas. A niacina se destacou.

Nos primeiros experimentos, feitos com camundongos que tinham tumores cerebrais, os animais que receberam niacina viveram mais.

O resultado foi promissor o bastante para justificar o processo lento e cuidadoso de avançar para testes em pessoas. É nesse ponto que entra o novo estudo.

Como o tumor se esconde

Parte do perigo do glioblastoma está na maneira como ele lida com as defesas do organismo.

Em condições normais, um grupo de células imunológicas chamadas células mieloides, que inclui células móveis capazes de patrulhar o corpo em busca de ameaças, se acumularia ao redor de um tumor para atacá-lo. Dentro de um glioblastoma, essas células ficam inativas.

O tumor praticamente as desliga, transformando possíveis combatentes em observadores passivos.

Essa supressão é uma das razões pelas quais o câncer resiste a tratamentos que funcionam em outras partes do corpo. Há um exército imunológico presente, mas sem entrar em ação.

A niacina parece religar esse mecanismo. Nos trabalhos anteriores com animais e em laboratório, a exposição dessas células silenciadas à vitamina restaurou sua capacidade de retardar o crescimento do tumor.

Os efeitos dependiam de um sinal imunológico específico que as células voltaram a produzir. Quando esse sinal é retirado, o benefício desaparece.

Testes em pessoas

O ensaio clínico combinou niacina de liberação controlada à radioterapia e à quimioterapia habituais em adultos recém-diagnosticados com a doença.

A primeira tarefa foi avaliar a segurança. Os pesquisadores aumentaram a dose gradualmente para determinar a maior quantidade que os pacientes conseguiam tolerar antes que os efeitos colaterais se tornassem problemáticos.

O limite encontrado foi de 2.000 miligramas por dia. A queixa mais comum foi o rubor, caracterizado por calor e vermelhidão na pele e já conhecido como efeito da niacina. Em geral, ele foi leve.

Dosagem e efeitos colaterais

Com doses mais altas, dois pacientes apresentaram efeitos colaterais mais graves relacionados ao sangue, o que ajudou a levar a equipe a definir esse limite.

A Dra. Gloria Roldan Urgoiti, especialista em câncer cerebral da universidade, tem sido direta ao explicar por que a cautela orienta cada etapa.

A sobrevida nesse tipo de câncer quase não mudou em 20 anos. Por isso, qualquer nova opção merece ser investigada, mas apenas com monitoramento rigoroso.

Doses elevadas de vitaminas não são inofensivas, e os pesquisadores ressaltam que esse tratamento não deve ser tentado em casa.

Um número surpreendente

Para que valesse a pena continuar investigando a niacina, ela precisaria elevar uma medida importante de sobrevida em pelo menos 20% em comparação com estudos anteriores. Caso não atingisse esse patamar, a pesquisa seria interrompida.

A medida considerada era a proporção de pacientes cujo câncer não havia crescido nem se espalhado de forma visível ao completar seis meses.

Em estudos anteriores sobre glioblastoma, cerca de metade dos pacientes ainda apresentava exames estáveis nesse momento. A meta a superar era relevante, não apenas simbólica.

Ao analisar os resultados dos primeiros 24 pacientes, a equipe constatou que aproximadamente 82% não apresentavam sinais de progressão do câncer aos seis meses.

Isso representa um aumento de 28% em relação à referência histórica, superando com folga o limite estabelecido pelos pesquisadores.

Em uma doença tão resistente, uma diferença desse tipo é um sinal preliminar capaz de manter o ensaio em andamento, em vez de levá-lo à interrupção.

O que continua sendo novidade

Muita coisa já era conhecida antes do estudo. Experimentos de laboratório haviam mostrado que a niacina podia reativar células imunológicas pouco atuantes, e os camundongos que a recebiam viviam mais.

O que ninguém havia medido até então era se a adição da vitamina ao tratamento padrão faria diferença para pacientes recém-diagnosticados em uma situação clínica real.

Esta análise preliminar traz a primeira evidência em pacientes de que isso pode acontecer. O resultado ainda é inicial e vem de um único grupo, sem um grupo de comparação direta.

Por essa razão, a equipe recorre às referências de estudos anteriores, em vez de fazer uma comparação direta. Mesmo com essas ressalvas, é difícil ignorar uma diferença de 28 pontos. Há também um motivo prático para o interesse.

A niacina é barata, amplamente disponível e já está aprovada para uso em humanos. Assim, um resultado positivo poderia chegar aos pacientes mais rapidamente do que um medicamento inteiramente novo, desenvolvido do zero.

Estudos no horizonte

Em pacientes, a adição de niacina ao tratamento padrão foi associada a uma taxa consideravelmente maior de controle do câncer ao longo de seis meses.

Isso tira a vitamina do campo das descobertas intrigantes de laboratório e a coloca em teste no contexto que importa. Se os resultados se mantiverem em estudos maiores, o interesse é evidente.

Um suplemento seguro e barato que ajude as próprias defesas do organismo a atacar um tumor seria uma rara boa notícia para um câncer que tem frustrado médicos por uma geração.

A descoberta também poderia direcionar outras pesquisas sobre câncer para as mesmas células imunológicas que a niacina parece reativar e que outros tipos de tumor silenciam de maneira semelhante.

A equipe continua recrutando participantes e pretende chegar a 48 pacientes antes de uma análise final, prevista para algum momento entre o fim de 2026 e o início de 2027.

Até lá, a mensagem permanece cautelosa: os números são animadores, ainda há mais trabalho pela frente e uma vitamina conhecida está recebendo uma nova avaliação cuidadosa.

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Mariana Souza Carvalho

Mariana Souza Carvalho é arquiteta e consultora em sustentabilidade residencial, com especialização em soluções ecológicas para casas e jardins. No kazaverde.com, compartilha conteúdos sobre decoração consciente, paisagismo, cultivo doméstico e práticas que tornam o lar mais verde, saudável e eficiente.

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