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Queijo pode reduzir o risco de demência, indica estudo japonês

Mulher idosa sorrindo comendo queijo em cozinha moderna, com frutas, caderno e copo d'água na mesa.
Neste artigo
  1. Demência é um desafio global
  2. Estudo japonês de longo prazo: quem come queijo adoece menos
  3. Por que o queijo poderia beneficiar o cérebro
  4. O queijo apenas reflete um estilo de vida mais saudável?
  5. Quão confiáveis são os resultados?
  6. O que isso significa no dia a dia - especialmente nos países de língua alemã?
  7. Queijo, risco e equilíbrio: pontos de atenção

Pesquisadores no Japão acompanharam milhares de pessoas idosas durante vários anos e chegaram a um resultado instigante: quem consome queijo regularmente desenvolve demência com menos frequência. Não se trata de uma solução milagrosa, mas de um possível componente que chama atenção, sobretudo em uma sociedade que envelhece.

Demência é um desafio global

A demência já figura entre os maiores desafios médicos da atualidade. Mais de 50 milhões de pessoas convivem hoje com a condição, e as projeções apontam para uma triplicação desse número até 2050. Os medicamentos, em geral, conseguem apenas retardar levemente a progressão, e ainda não existe cura.

Por isso, ganha força a questão de como o risco pode ser influenciado no cotidiano. Praticar atividade física, controlar a pressão arterial e manter vínculos sociais são fatores considerados relevantes. Agora, o estudo japonês sugere que determinados alimentos também podem ter participação, entre eles um clássico das cozinhas europeias: o queijo.

Estudo japonês de longo prazo: quem come queijo adoece menos

A pesquisa usou dados do programa nacional JAGES (Japan Gerontological Evaluation Study). Participaram 7.914 pessoas com 65 anos ou mais que, no início do acompanhamento, moravam em casa e não tinham necessidade de cuidados oficialmente reconhecida.

Os pesquisadores dividiram os participantes em dois grupos:

  • Grupo 1: consome queijo ao menos uma vez por semana
  • Grupo 2: nunca consome queijo

Com métodos estatísticos, a equipe procurou tornar os dois grupos bastante semelhantes em aspectos como idade, sexo, renda, escolaridade, avaliação da própria saúde e capacidade para atividades cotidianas. A intenção era permitir uma comparação o mais equilibrada possível.

Durante cerca de três anos, os pesquisadores acompanharam quais participantes receberam um novo diagnóstico de demência. Como base, utilizaram classificações oficiais do seguro de cuidados de longa duração, um indicador usado com frequência no Japão.

No grupo que consumia queijo, 3,4% dos participantes desenvolveram demência - no grupo sem queijo, o índice foi de 4,5%.

Em termos proporcionais, isso representa uma redução de 24% no risco relativo. À primeira vista, o número pode parecer pequeno, mas pode produzir um efeito perceptível em uma população envelhecida. É importante destacar que se trata de uma associação, e não de uma demonstração de que o queijo seja a causa direta.

Por que o queijo poderia beneficiar o cérebro

Os pesquisadores apontam diversas explicações biológicas possíveis, já conhecidas por meio de outros estudos. O trabalho japonês não mediu esses mecanismos de forma direta; ele apenas relaciona as observações ao conhecimento científico disponível.

Vitaminas e vasos: proteção pela circulação sanguínea

Entre outros nutrientes, o queijo fornece vitamina K2, uma vitamina lipossolúvel que participa da saúde dos vasos sanguíneos. Vasos que funcionam bem são fundamentais para o cérebro. Estreitamentos, calcificações e pressão alta aumentam o risco de certos tipos de demência, especialmente a chamada demência vascular.

A vitamina K2 regula o depósito de cálcio nas paredes dos vasos e, assim, pode ajudar a mantê-los mais flexíveis. Indiretamente, isso pode favorecer a circulação cerebral e proteger as células nervosas.

Proteínas, peptídeos e inflamação

O queijo é fonte de proteínas de alta qualidade e de aminoácidos importantes. O organismo usa esses componentes para produzir neurotransmissores e outras moléculas envolvidas na comunicação entre as células nervosas. Chamam atenção, em especial, certos fragmentos de proteína conhecidos como peptídeos bioativos, formados durante a maturação.

Em estudos de laboratório e com animais, esses peptídeos apresentam, em alguns casos:

  • efeitos anti-inflamatórios;
  • ação antioxidante;
  • influência positiva sobre a pressão arterial e o metabolismo.

A inflamação crônica e o estresse oxidativo são considerados importantes impulsionadores da perda cognitiva na velhice. Se o queijo exercer até mesmo um leve efeito de equilíbrio nesses processos, isso poderá ter consequências mensuráveis no longo prazo.

Eixo intestino-cérebro: a relação entre queijo e microbioma

Queijos fermentados, como camembert e brie, contêm microrganismos vivos. Eles podem influenciar o microbioma intestinal, isto é, a comunidade de bactérias presente no intestino. Aí está outro possível mecanismo de proteção: diversos estudos mostram que a composição do microbioma está ligada a doenças neurológicas, incluindo o Alzheimer.

Um dado interessante é que a maioria dos participantes japoneses consumia principalmente queijo processado, como queijo fundido ou produtos semelhantes. Cerca de 83% disseram preferir esse tipo. Pouco menos de 8% escolhiam queijos maturados com mofo branco. Ainda assim, foi observada a associação positiva com menor risco de demência.

O efeito aparece mesmo em uma população que consome pouco queijo tradicional - e recorre predominantemente a produtos processados.

Isso sugere que vários fatores podem atuar em conjunto: nutrientes dos laticínios, o restante da alimentação e, possivelmente, outros componentes que ainda não foram claramente identificados.

O queijo apenas reflete um estilo de vida mais saudável?

Pessoas que comem queijo muitas vezes também têm outros hábitos diferentes. O estudo japonês mostrou que o grupo do queijo consumia frutas, verduras, carne ou peixe com mais frequência - todos alimentos associados a um envelhecimento cerebral mais favorável.

Para avaliar esse aspecto, a equipe de pesquisa incluiu esses padrões alimentares em um modelo ampliado. A magnitude do efeito diminuiu um pouco, mas continuou evidente:

Cenário Redução de risco entre consumidores de queijo
Sem considerar o restante da alimentação 24% menor risco relativo
Considerando o restante da alimentação 21% menor risco relativo

Assim, muitos indícios apontam que o queijo pode não ser apenas um sinal de um estilo de vida globalmente melhor, mas também contribuir de forma própria - ainda que não de maneira enorme.

A quantidade consumida também merece atenção: a maior parte das pessoas comia queijo uma ou duas vezes por semana. O estudo não menciona consumo diário. Portanto, uma porção moderada já parece suficiente para revelar diferenças mensuráveis em nível populacional.

Quão confiáveis são os resultados?

Apesar da análise cuidadosa, o estudo continua sendo observacional. Há vários fatores que limitam a força das conclusões:

  • Os pesquisadores registraram o consumo de queijo apenas uma vez, no começo do estudo. Mudanças ocorridas ao longo dos anos não foram consideradas.
  • Não foram informadas quantidades precisas: uma fatia pequena teve o mesmo peso que uma porção generosa.
  • O diagnóstico de demência se baseou em dados administrativos, e não em avaliações clínicas detalhadas que distinguissem subtipos.
  • Fatores genéticos, como o gene de risco para demência APOE ε4, não entraram na análise.
  • O Japão é um país com consumo tradicionalmente muito baixo de queijo. Pequenas diferenças podem ter maior impacto ali do que na Alemanha, na França ou na Suíça.

Por isso, os autores ressaltam expressamente que ninguém deve interpretar os resultados como uma autorização para se “vacinar contra a demência” com queijo. Trata-se de uma entre muitas medidas que, reunidas, podem produzir efeito.

O que isso significa no dia a dia - especialmente nos países de língua alemã?

Diferentemente do Japão, o queijo faz parte da alimentação habitual na Alemanha, na Áustria e na Suíça. Muitas pessoas comem pão com queijo todos os dias ou o utilizam em preparações culinárias e gratinados. A questão interessante é: o efeito observado também se aplica a esses países ou o benefício se esgota em algum ponto?

Ainda não há uma resposta clara. Mesmo assim, algumas conclusões podem ser tiradas:

  • O estudo favorece um consumo regular, porém moderado, e não quantidades excessivas.
  • Queijos mais maturados e fermentados tendem a oferecer mais compostos bioativos, mas frequentemente também contêm mais gordura e sal.
  • Quem já consome muitas gorduras saturadas ou tem problemas de colesterol deve observar o equilíbrio geral da dieta.

Para muitas pessoas, pode fazer sentido incluir o queijo em uma alimentação com inspiração mediterrânea: muitos vegetais, leguminosas, peixe, azeite de oliva e laticínios escolhidos de forma consciente.

Queijo, risco e equilíbrio: pontos de atenção

Por mais atraente que seja a ideia de um lanche “amigo do cérebro”, ela tem limites. O queijo pode conter bastante sal, gordura saturada e calorias. Quem tem tendência à pressão alta ou já apresenta problemas cardiovasculares deve conversar com um médico ou médica antes de aumentar muito as porções.

Uma abordagem prática possível seria:

  • incluir pequenas porções nas refeições, em vez de grandes excessos;
  • escolher com mais frequência variedades menos processadas e bem maturadas;
  • combinar queijo com vegetais frescos, pão integral ou salada;
  • cuidar, de forma geral, do peso, da pressão arterial e da glicemia.

Quem não gosta de queijo ou deixa de consumi-lo por razões de saúde ou éticas não fica automaticamente em desvantagem. Muitos dos mecanismos de proteção supostos - como a redução da inflamação ou os efeitos sobre o microbioma - também podem ser estimulados por outros alimentos: vegetais fermentados, iogurte, leguminosas, castanhas e peixe são apenas alguns exemplos.

Assim, o estudo japonês transmite principalmente uma mensagem: as escolhas diárias à mesa podem influenciar o risco de demência. Nesse cenário, o queijo aparece como uma pequena, porém interessante, peça do quebra-cabeça - não como protagonista, mas como um possível participante de uma estratégia mais ampla de proteção para o cérebro que envelhece.

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Mariana Souza Carvalho

Mariana Souza Carvalho é arquiteta e consultora em sustentabilidade residencial, com especialização em soluções ecológicas para casas e jardins. No kazaverde.com, compartilha conteúdos sobre decoração consciente, paisagismo, cultivo doméstico e práticas que tornam o lar mais verde, saudável e eficiente.

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