O adoçante artificial aspartame está presente em produtos que vão de gomas de mascar e refrigerantes a adoçantes de mesa. Um novo estudo com camundongos sugere que, mesmo em doses baixas, esse substituto do açúcar pode prejudicar a saúde do coração e do cérebro a longo prazo.
Durante um ano, pesquisadores liderados por uma equipe do Centro de Pesquisa Cooperativa em Biomateriais, na Espanha, acrescentaram pequenas quantidades de aspartame à dieta de camundongos machos. Administrada por alguns dias a cada quinzena, a dose equivalia a cerca de um sexto da ingestão diária atualmente considerada aceitável para humanos pela Organização Mundial da Saúde.
Em comparação com os animais do grupo de controle, que não receberam o adoçante, esses camundongos perderam mais peso e terminaram o estudo com, em média, 10-20% menos gordura corporal. Por outro lado, apresentaram sinais preocupantes de declínio da função cardíaca e cerebral. Os resultados justificam novas pesquisas para verificar se os mesmos efeitos podem ocorrer em pessoas.
“ O estudo demonstra que a exposição prolongada a adoçantes artificiais pode prejudicar o funcionamento dos órgãos mesmo em doses baixas, o que sugere que as diretrizes atuais de consumo devem ser reavaliadas de forma crítica”, escrevem os pesquisadores no artigo publicado.
Efeitos do aspartame no coração e no cérebro
Os cientistas observaram que o coração dos camundongos que receberam aspartame bombeava sangue com menor eficiência e apresentava pequenas alterações estruturais e funcionais. Segundo eles, esses sinais indicam uma piora do desempenho e maior estresse cardíaco.
A captação de glicose pelo cérebro, que depende desse combustível essencial, também mudou nos animais expostos ao aspartame. Ela aumentou inicialmente, mas caiu de maneira significativa ao fim do experimento de um ano. Isso poderia reduzir a energia de que o cérebro precisa para funcionar adequadamente.
Os camundongos tratados com aspartame também tiveram mais dificuldade em tarefas de memória e aprendizado, o que sugere declínio cognitivo. Os animais que consumiram o adoçante, por exemplo, movimentavam-se mais devagar e demoravam mais para sair de labirintos.
“É preocupante”, escrevem os pesquisadores, “que o regime moderado aplicado aqui, muito abaixo do máximo equivalente permitido para humanos e administrado apenas três dias a cada duas semanas, possa alterar a função do coração e do cérebro e a estrutura cardíaca”.
Resultados do estudo sobre aspartame em contexto
É importante considerar esses achados à luz de outros estudos. Os pesquisadores observam que as alterações cognitivas foram “relativamente leves” em comparação com as registradas em estudos anteriores com camundongos que consumiram aspartame diariamente ou por um período mais curto.
“Ou os intervalos sem aspartame atenuaram a magnitude das alterações comportamentais, ou os camundongos adultos são mais tolerantes ao aspartame do que os animais mais jovens, ou ainda os camundongos se adaptam à exposição prolongada ao aspartame”, escrevem.
“Até que as sequelas neurológicas do aspartame sejam mais bem compreendidas, crianças e adolescentes provavelmente devem evitar o aspartame tanto quanto possível, especialmente como componente regular da dieta.”
Há muitas variáveis a considerar, como a dose, a duração do estudo e a alimentação associada. Além disso, os resultados foram obtidos em camundongos, não em pessoas, e apenas em machos.
Ainda assim, o estudo se soma às evidências crescentes de que adoçantes artificiais não são necessariamente substitutos saudáveis. Pesquisas anteriores já associaram esses produtos a alterações biológicas relacionadas à demência, ao acúmulo de gordura nas artérias e ao câncer de fígado, embora ainda não haja comprovação clara de causa e efeito diretos.
Ao oferecer sabor doce sem calorias, o aspartame e produtos semelhantes podem reduzir o risco de obesidade e diabetes tipo 2. Mesmo assim, continuam existindo dúvidas sobre qual nível de consumo é seguro.
“Esses achados sugerem que o aspartame, em doses permitidas, pode comprometer o funcionamento de órgãos importantes e, por isso, seria aconselhável reavaliar os limites de segurança para humanos”, concluem os pesquisadores.
A pesquisa foi publicada na revista Biomedicine & Pharmacotherapy.






Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário