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TDAH e finanças: como a impulsividade pode afetar o dinheiro

Jovem preocupado analisando finanças em celular e laptop, com anotações e xícaras na mesa da cozinha.
Neste artigo
  1. Quando a planilha não resolve
  2. O peso das emoções no consumo
  3. Importância de realizar uma avaliação individual

Atrasar o pagamento de uma conta, comprar sem planejamento ou postergar decisões financeiras são situações comuns na rotina. Porém, quando esses comportamentos passam a se repetir e resultam em dívidas, conflitos ou sofrimento, vale considerar que pode haver questões envolvidas além da falta de organização financeira.

Em pessoas com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), desafios ligados à atenção, memória de trabalho, controle da impulsividade, planejamento e regulação emocional podem afetar a relação com o dinheiro. Isso não quer dizer, no entanto, que toda compra impulsiva decorra do transtorno nem que dificuldades financeiras, isoladamente, indiquem TDAH.

Pesquisas com adultos, como “Tomada de decisões financeiras em uma amostra comunitária de adultos com e sem sintomas atuais de TDAH”, publicada na Biblioteca Nacional de Medicina, e “Compra impulsiva e adiamento da gratificação entre adultos com TDAH”, publicada na revista Psicologia Clínica na Europa, indicam que participantes com sintomas de TDAH relataram mais compras por impulso e maior propensão a postergar ou decidir questões financeiras de modo espontâneo, em comparação com pessoas sem sintomas.

Essa relação, porém, também envolve aspectos como personalidade, sintomas depressivos, idade, renda e contexto de vida. Para a psicóloga e neuropsicóloga Luanda Rosa, o ponto central é entender o que mantém determinado comportamento antes de definir uma estratégia para modificá-lo.

“Uma pessoa pode gastar sem pensar porque tem dificuldade para interromper uma ação e considerar suas consequências. Em outro caso, a compra pode funcionar como uma tentativa de aliviar ansiedade, tristeza, frustração ou estresse. Comportamentos parecidos podem ter causas diferentes e, por isso, não respondem necessariamente à mesma solução”, afirma.

Quando a planilha não resolve

Planilhas, aplicativos de orçamento e a redução do limite do cartão podem contribuir para conter despesas, mas não eliminam automaticamente a causa do problema. Embora indiquem valores e datas de vencimento, essas ferramentas dependem da capacidade de começar tarefas, sustentar uma rotina de acompanhamento e converter intenção em ação.

Uma pessoa pode reconhecer a necessidade de poupar e, mesmo assim, esquecer de fazer a transferência. Pode consultar uma conta e deixar o pagamento para depois, até que o vencimento se torne urgente. Também pode acessar um aplicativo de compras durante um momento de estresse e finalizar um pedido sem considerar o efeito daquela despesa no orçamento mensal.

“Controlar o limite do cartão pode reduzir um risco imediato, mas talvez não seja suficiente se a compra estiver funcionando como uma resposta a uma emoção difícil. Nesses casos, é preciso entender o padrão que se repete”, diz Luanda Rosa.

O peso das emoções no consumo

Duas pessoas podem afirmar que “não conseguem controlar o dinheiro” enquanto vivenciam problemas muito distintos. Uma pode se esquecer de contas e compromissos; outra pode evitar escolhas até que se convertam em situações urgentes. Há também quem compre por impulso, tenha dificuldade de calcular consequências ou busque uma recompensa imediata diante de estresse e frustração. Essa diferenciação é relevante, pois uma medida eficaz em um caso pode não trazer resultado em outro.

Alertas no celular, calendário de vencimentos e pagamentos automáticos podem ser úteis para quem perde prazos com frequência. Já para lidar com compras impulsivas, retirar cartões salvos dos aplicativos, desativar notificações de ofertas e definir um período de espera antes de concluir uma aquisição podem abrir espaço para refletir.

Entretanto, quando as emoções exercem influência significativa sobre o consumo, barreiras financeiras isoladas podem produzir resultados limitados. Nessas situações, identificar gatilhos emocionais e procurar acompanhamento psicológico pode integrar o cuidado.

Importância de realizar uma avaliação individual

De acordo com Luanda Rosa, dificuldades persistentes com organização, esquecimento, impulsividade e tomada de decisão precisam de atenção quando prejudicam a rotina, a renda, os vínculos ou a saúde emocional. A avaliação neuropsicológica pode examinar atenção, memória de trabalho, planejamento, funções executivas, tomada de decisão e controle comportamental, sempre levando em conta a história e as circunstâncias de cada pessoa.

“O objetivo não é apenas responder se alguém tem ou não TDAH. Também é compreender como o funcionamento cognitivo e emocional participa das dificuldades relatadas e quais estratégias podem ser viáveis para aquela realidade”, afirma a especialista.

A psicóloga e neuropsicóloga ressalta que entender a dificuldade pode ajudar a trocar a culpa por questionamentos mais produtivos: houve esquecimento? Falta de planejamento? Uma decisão tomada por impulso? Uma emoção intensa?

A partir da resposta, diferentes caminhos podem ser indicados. Para algumas pessoas, uma rotina simplificada de alertas e pagamentos automáticos pode bastar. Para outras, talvez seja necessário combinar estratégias de organização com cuidados relacionados à ansiedade, ao estresse, ao comportamento de consumo e à saúde mental.

Por Paulo Novais

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Mariana Souza Carvalho

Mariana Souza Carvalho é arquiteta e consultora em sustentabilidade residencial, com especialização em soluções ecológicas para casas e jardins. No kazaverde.com, compartilha conteúdos sobre decoração consciente, paisagismo, cultivo doméstico e práticas que tornam o lar mais verde, saudável e eficiente.

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