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Estudo aponta 14 proteínas no sangue ligadas ao risco de câncer de pulmão

Médica mostrando imagem digital de pulmões para paciente em consulta, com exames e calendário na mesa.
Neste artigo
  1. Descoberta ainda não é um exame para detectar câncer
  2. Câncer de pulmão também pode afetar quem nunca fumou
  3. Agosto Branco chama atenção para a prevenção
  4. Quem deve fazer rastreamento?
  5. Como reduzir o risco de câncer de pulmão?

O câncer de pulmão pode evoluir por anos sem causar manifestações evidentes, o que faz da procura por formas de reconhecer a doença - ou os riscos relacionados a ela - com antecedência uma prioridade da pesquisa médica. Um estudo internacional publicado na revista científica Cell indica uma possibilidade que ainda está sob investigação: a presença combinada de 14 proteínas no sangue pode estar associada a uma probabilidade mais alta de desenvolver câncer de pulmão anos antes do diagnóstico.

Para buscar padrões ligados ao aparecimento futuro do tumor, os pesquisadores avaliaram amostras sanguíneas de mais de 48 mil participantes com o auxílio de inteligência artificial e técnicas avançadas de análise proteica. A chamada assinatura proteica também passou por avaliação em diferentes bases de dados, entre elas grupos formados por pessoas que nunca fumaram.

Descoberta ainda não é um exame para detectar câncer

Embora os achados sejam promissores, eles não significam que já exista um exame de sangue capaz de diagnosticar o câncer de pulmão anos antes de seu surgimento. A pesquisa aponta uma possível associação entre proteínas específicas e o risco futuro da doença, mas novas fases de validação serão necessárias antes de uma eventual adoção na rotina clínica.

Para o infectologista Dr. Evaldo Stanislau, coordenador do curso de Medicina da Universidade São Judas - cujo curso de Medicina integra a Inspirali, ecossistema que administra 15 escolas médicas em diferentes regiões do Brasil -, a descoberta abre uma perspectiva importante para o futuro da detecção precoce.

“É importante destacar que estamos falando de uma pesquisa que aponta um caminho promissor, e não de um exame disponível para diagnosticar câncer de pulmão na prática clínica. O estudo mostra a possibilidade de identificar, por meio do sangue, sinais biológicos relacionados a um risco aumentado da doença antes que ela seja diagnosticada pelos métodos convencionais”, explica.

Se os resultados forem confirmados por estudos posteriores, uma ferramenta como essa poderá contribuir para identificar indivíduos com maior chance de desenvolver a doença e viabilizar estratégias de monitoramento mais personalizadas.

Câncer de pulmão também pode afetar quem nunca fumou

Embora o tabagismo permaneça como o principal fator de risco para câncer de pulmão, ele não é o único. A doença também pode atingir pessoas que jamais fumaram, reforçando a necessidade de investigar outros elementos relacionados ao seu desenvolvimento.

Segundo dados apresentados pelo Dr. Stanislau, a chance de desenvolver câncer de pulmão até os 75 anos é de quase 20% entre fumantes, de aproximadamente 5% entre ex-fumantes e de cerca de 1% entre quem nunca fumou. Ainda assim, esse último grupo corresponde a entre 15% e 20% dos diagnósticos de câncer de pulmão no mundo.

“O câncer de pulmão não é uma doença exclusiva de quem fuma. O tabagismo é, sem dúvida, o principal fator de risco, mas existem outros elementos envolvidos, como exposição à poluição, substâncias presentes em determinados ambientes de trabalho, histórico familiar e algumas doenças pulmonares. Por isso, precisamos olhar para a prevenção e para o acompanhamento de forma mais ampla”, afirma Stanislau.

Agosto Branco chama atenção para a prevenção

A divulgação da descoberta ocorre durante o Agosto Branco, campanha de conscientização sobre o câncer de pulmão. A ação procura ampliar o conhecimento da população sobre fatores de risco, prevenção, sintomas, diagnóstico e tratamento.

Como a doença pode seguir silenciosa em parte de sua evolução, também é importante observar possíveis sinais. Tosse persistente, falta de ar, dor no peito, rouquidão, cansaço, emagrecimento sem causa aparente e sangue no escarro são alterações que devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

No entanto, a presença de qualquer um desses sintomas não indica, necessariamente, câncer. Eles podem estar ligados a várias outras condições, mas precisam ser investigados quando persistem.

Quem deve fazer rastreamento?

Hoje, o rastreamento do câncer de pulmão não é indicado de forma indiscriminada para toda a população. Pessoas com histórico relevante de tabagismo ou outros fatores de risco podem precisar de acompanhamento específico, inclusive com exames de imagem, de acordo com a avaliação médica.

O estudo sobre proteínas no sangue ainda está longe de substituir essas abordagens. Para que a assinatura identificada pelos pesquisadores possa integrar a rotina dos consultórios, serão necessários estudos adicionais que comprovem, com segurança e precisão, sua capacidade de antecipar o risco da doença.

Como reduzir o risco de câncer de pulmão?

Enquanto novas alternativas de detecção são investigadas, atitudes já conhecidas seguem essenciais para reduzir a chance de desenvolver a doença:

  • Não fumar: o tabagismo é o principal fator de risco para o câncer de pulmão, e deixar o cigarro diminui progressivamente os riscos ligados ao consumo de tabaco.
  • Evitar a fumaça do cigarro: a exposição ao fumo passivo também está associada ao aumento do risco.
  • Usar proteção no trabalho: trabalhadores expostos a amianto, sílica, arsênio, benzeno, cádmio, cromo e níquel devem adotar as medidas recomendadas de proteção ocupacional.
  • Reduzir a exposição à poluição: o contato prolongado com a poluição atmosférica está ligado a problemas respiratórios e pode contribuir para doenças pulmonares.
  • Manter acompanhamento médico: quem tem histórico de tabagismo, doenças pulmonares ou outros fatores de risco deve conversar com um profissional sobre a necessidade de acompanhamento e exames.
  • Investigar sintomas persistentes: tosse, falta de ar, rouquidão, sangue no escarro e outros sinais devem passar por avaliação.

Segundo o especialista, o avanço de novos métodos de detecção não reduz a relevância das estratégias preventivas já estabelecidas.

“A melhor estratégia ainda é reduzir os fatores de risco. Parar de fumar, evitar a exposição à fumaça do cigarro, utilizar equipamentos de proteção em ambientes de trabalho com substâncias potencialmente prejudiciais e manter acompanhamento médico são atitudes que podem fazer diferença. O Agosto Branco é uma oportunidade importante para lembrar que prevenção e informação também salvam vidas”, destaca.

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Mariana Souza Carvalho

Mariana Souza Carvalho é arquiteta e consultora em sustentabilidade residencial, com especialização em soluções ecológicas para casas e jardins. No kazaverde.com, compartilha conteúdos sobre decoração consciente, paisagismo, cultivo doméstico e práticas que tornam o lar mais verde, saudável e eficiente.

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