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Chás para a saúde digestiva: opções, benefícios e cuidados

Mulher relaxa tomando chá quente com gengibre, camomila e ervas frescas em cozinha iluminada.
Neste artigo
  1. Como as plantas dos chás beneficiam o sistema digestivo
  2. Plantas que ajudam no conforto digestivo
  3. Cuidados e contraindicações no uso dos chás

Em 21 de maio, comemora-se o Dia Internacional do Chá, uma das bebidas mais tradicionais do planeta e historicamente ligada ao conforto e ao bem-estar. Nos últimos anos, seu consumo também passou a ser associado a estilos de vida mais saudáveis, fator que ajuda a explicar o crescimento do mercado mundial da bebida, avaliado em US$ 69,51 bilhões em 2025 e projetado para chegar a US$ 115,19 bilhões até 2033, de acordo com a Grand View Research.

Entre os benefícios mais conhecidos dos chás para a saúde está o apoio ao bem-estar digestivo. Algumas ervas podem colaborar para o alívio de sintomas leves, incluindo má digestão, gases, inchaço e náuseas. Além disso, contribuem para a hidratação ao longo do dia e podem proporcionar relaxamento.

Segundo a Dra. Juliana Couto, médica e professora de pós-graduação em Nutrologia da Afya Educação Médica Montes Claros, uma parcela desses efeitos se deve aos compostos bioativos presentes nas ervas usadas no preparo das bebidas, que têm propriedades digestivas, anti-inflamatórias e antioxidantes.

“Os chás podem contribuir para o bem-estar gastrointestinal, mas seus efeitos variam conforme a erva utilizada, a forma de preparo, a quantidade consumida e as características individuais. Eles devem ser encarados como parte de um conjunto de hábitos saudáveis, e não como uma solução isolada”, alerta.

Como as plantas dos chás beneficiam o sistema digestivo

De acordo com a nutróloga, algumas substâncias encontradas nas plantas empregadas nos chás podem estimular a produção de enzimas digestivas, favorecer o esvaziamento do estômago e ajudar a diminuir cólicas e espasmos intestinais. Certas ervas ainda apresentam efeito tranquilizante, o que pode ser positivo para o sistema digestivo, pois o intestino e o sistema nervoso têm conexão direta.

“Fatores emocionais, como estresse e ansiedade, podem intensificar sintomas como refluxo, gastrite funcional, distensão abdominal e alterações intestinais. Por isso, algumas ervas podem contribuir tanto para o processo digestivo quanto para a sensação de bem-estar”, completa a Dra. Juliana Couto.

Plantas que ajudam no conforto digestivo

Hortelã-pimenta, gengibre, camomila, erva-doce e melissa estão entre as ervas mais usadas para amenizar gases, cólicas leves e a sensação de inchaço. Conforme Diego Righi, professor de Nutrição da Afya Centro Universitário Itaperuna, algumas delas apresentam ação carminativa, antiespasmódica e digestiva leve, favorecendo o conforto gastrointestinal depois das refeições.

“O efeito depende do tipo de erva, da concentração, da causa do sintoma e da tolerância individual”, afirma o nutricionista. Ele também ressalta que os chás, quando ingeridos sem açúcar, contribuem para o consumo diário de líquidos.

Veja, a seguir, algumas alternativas de chás que podem colaborar com a saúde digestiva.

1. Chá de hortelã-pimenta

A hortelã-pimenta é frequentemente recomendada para reduzir gases, cólicas leves, inchaço e desconfortos intestinais. Por ter ação antiespasmódica, a erva ajuda a relaxar a musculatura do sistema digestivo. Porém, quem tem refluxo gastroesofágico deve consumi-la com cautela, já que ela pode piorar os sintomas em determinadas situações.

2. Chá de gengibre

O chá de gengibre é usado com frequência para amenizar náuseas, má digestão, digestão lenta e a sensação de peso no estômago. A raiz reúne propriedades que podem favorecer o esvaziamento gástrico e aliviar desconfortos digestivos leves. Mesmo com esses benefícios, pessoas que usam anticoagulantes, têm distúrbios de coagulação ou consomem doses elevadas da erva devem moderar a ingestão.

3. Chá de camomila

Além de seu efeito calmante, a camomila pode ajudar a atenuar desconfortos digestivos leves, tensão abdominal e manifestações relacionadas ao estresse e à ansiedade. Tradicionalmente, o chá é utilizado como aliado do relaxamento e pode ser útil quando o desconforto gastrointestinal está relacionado à tensão emocional. Pessoas alérgicas a plantas da família Asteraceae, como margaridas e crisântemos, assim como usuários de sedativos e varfarina, precisam ter cautela ao consumi-lo.

4. Chá de erva-doce ou funcho

Bastante consumido depois das refeições, o chá de erva-doce ou funcho pode contribuir para diminuir gases, cólicas leves e inchaço. A planta tem efeito carminativo, favorece o conforto digestivo e auxilia na redução da formação de gases intestinais. Gestantes, lactantes e pessoas com condições sensíveis a hormônios devem ter atenção especial ao uso frequente ou concentrado.

5. Chá de melissa

O chá de melissa é indicado sobretudo quando o desconforto digestivo está ligado ao estresse, à ansiedade ou à dificuldade para dormir. De efeito calmante leve, a bebida pode favorecer o relaxamento e o bem-estar, sendo uma alternativa interessante para a noite. Pessoas que usam medicamentos sedativos ou apresentam sonolência excessiva devem consumi-lo com cuidado.

6. Chá de espinheira-santa

A espinheira-santa é tradicionalmente utilizada para aliviar azia, má digestão, queimação e desconfortos gástricos leves. A planta contém compostos com potencial efeito protetor sobre a mucosa do estômago e pode auxiliar em quadros dispépticos. Apesar do uso popular, seu consumo requer cautela e orientação profissional, especialmente para pessoas com doenças gástricas ou que fazem uso contínuo de medicamentos.

7. Chá de boldo

Muito ingerido após refeições muito pesadas ou excessos alimentares, o boldo é conhecido por estimular a digestão e reduzir a sensação de estômago “pesado”. Ele também pode ajudar a aliviar náuseas e desconfortos digestivos esporádicos. Ainda assim, a ingestão deve ser moderada: o uso excessivo ou recorrente pode provocar irritação gastrointestinal e não é recomendado para alguns grupos, como gestantes e pessoas com problemas hepáticos.

Cuidados e contraindicações no uso dos chás

Apesar dos possíveis benefícios, os especialistas destacam que determinadas ervas podem ter contraindicações e até interagir com medicamentos. Alguns chás são capazes de interferir na pressão arterial, na glicemia e na ação de remédios de uso contínuo. Por isso, gestantes, lactantes, idosos e pessoas com doenças crônicas devem ter atenção redobrada. “Natural não significa isento de riscos. Dependendo da erva e das condições de saúde do indivíduo, podem ocorrer efeitos adversos ou interações importantes”, ressalta a Dra. Juliana Couto.

A recomendação dos especialistas é escolher infusões suaves, de preferência sem açúcar, e utilizar uma erva por vez, o que facilita identificar eventuais benefícios ou desconfortos. Eles ainda reforçam que sintomas persistentes - como dor abdominal recorrente, refluxo frequente, queimação intensa, alterações intestinais prolongadas, perda de peso involuntária e sangue nas fezes - precisam ser avaliados por um profissional de saúde.

“Os chás podem ajudar no alívio de sintomas leves e ocasionais, mas não substituem diagnóstico adequado nem tratamento individualizado”, enfatiza a nutróloga.

Por Beatriz Felicio

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Mariana Souza Carvalho

Mariana Souza Carvalho é arquiteta e consultora em sustentabilidade residencial, com especialização em soluções ecológicas para casas e jardins. No kazaverde.com, compartilha conteúdos sobre decoração consciente, paisagismo, cultivo doméstico e práticas que tornam o lar mais verde, saudável e eficiente.

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