A trajetória de Luís Fonseca até a presidência da APIC
Depois da morte do pai, aos 10 anos, Luís Fonseca abandonou a escola para ajudar a mãe. Ainda criança, trabalhou como servente de pedreiro e operário em uma fábrica de rações. Aos 16, já comprava e vendia porcos por conta própria e, aos 20, se estabeleceu como empresário. Ele reconhece que “ter estudos é muito importante”, mas afirma que ter frequentado apenas os primeiros anos do ensino fundamental “não foi um entrave” para chegar à presidência da APIC - Associação Portuguesa dos Industriais de Carne.
Às vésperas de completar 60 anos, o empresário e dirigente associativo construiu um grupo que emprega 300 pessoas e reúne mais de 50 mil porcos em Portugal e na Espanha. “Basta procurar as pessoas certas para me apoiarem sempre que preciso. E isso vai dando resultado. Acho que, se tivesse um curso superior, não teria chegado mais longe”, diz.
Criação de porcos e obstáculos para a expansão em Portugal
Fonseca investiu na Espanha para superar as dificuldades de expansão do negócio em Portugal. “Em Portugal é muito difícil obter licença para uma criação, embora o país não seja autossuficiente e produza carne suína suficiente para atender a apenas 70% do consumo. É muito mais fácil criar porcos na Espanha”, afirma.
Ele também aponta problemas nas inspeções: “Faltam veterinários na DGAV (Direção-Geral de Alimentação e Veterinária) para fazer as inspeções nos abatedouros e não é possível trabalhar de forma fluida. A Espanha trabalha com regras semelhantes, mas tudo flui”. No começo de um mandato de três anos, assume o desafio de “trabalhar para tornar a máquina do Estado mais operacional, de modo a ajudar a desenvolver o setor e torná-lo mais competitivo na Europa e no mundo”.
Consumo de carne e planos para o futuro
Mesmo com o crescimento do veganismo, Fonseca acredita que “a carne não está nem vai sair de moda”. Segundo ele, o consumo pode estar em queda na Europa, mas “continua a crescer no mundo”. As previsões indicam aumento da demanda de 5% para suínos, 13% para bovinos e 21% para frangos até 2035. Aos consumidores, assegura que a carne disponível no mercado “tem qualidade e é um alimento seguro”. “Portugal tem, junto com a Europa, as regras mais rigorosas do mundo em termos de segurança alimentar”, observa.
Olhando para o futuro, ele pretende “manter a ambição de sempre”, ao lado dos filhos de 24 e 26 anos no negócio. “Quero continuar a ser feliz fazendo o que faço”, conclui.






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